Afinal, o
que sois?
Pedras perdidas no meio do
caminho
Sonhos caídos sem rumo e sem
destino
Afinal, o que
pareces?
Evoluções
instigantes
Pequenos insignificantes
enfeites de estante
Afinal, o que
conseguistes?
Revelar o
óbvio sem importância
Colocar
cada vez mais entre nós enorme distância
Afinal, o que
queres?
Sempre o mesmo fracasso
aceito
Sempre atirar dilacerando
assim um peito
Ao final, o que
sou?
Tornaram-me
errante
Fizeram-me odiar os enfeites
da estante
No final, o que
conseguirei?
Arrancar o
que bate dentro sem pudor
Descobrir
que a vida foi traduzida em dor
Afinal, o que
fizestes?
Do que fiz não posso
saber
Nunca conquistastes dignidade pra
fazer acontecer
No final, o que vos
resta?
Mendigar uma falsa
verdade
Perecer com aceitação dessa
realidade
Afinal, o que me
satisfaz?
Sinceramente não conheci homem
que criasse
Por tanto conformar deixei que
meus planos rasgasse
Ao final, que mesa foi
virada?
Por toda vida conheci uma
mudança apenas
Mas amanhã
retornam as angústias sempre tão plenas
Tão normal, que ninguém percebeu
nada
Que estou sendo quem não queria,
sem estrada
Que estou desaparecendo no
meio desta calçada
Tão banal, que sequer me
importei
Agora que a pele já não me
podem tocar
Luzes de toda a cidade cercam
pra que não venha revelar
No final, nasceram outros nomes do
início
E voltamos ao
precipício
Desde quando existir já era
algo difícil
No final, o que
pareces?
Decadentes se perdendo pelo
próprio atraso
O rio que
antes tão cheio agora anda raso
Do final, o que
esperastes?
Que nada vos
alcançasse
Que o vai-e-vem de vidas nunca
cessasse
Nada mal, o que
consegui?
Descer da torre de forma
inesperada
Querendo voltar a ter cor na
fria madrugada
E no final, o que de vós ficou?
O pobre entendimento de vossa potencialidade
Simplesmente a má interpretação de tanta
capacidade
Anne Oliveira





